MARIA-CARMEN PERLINGEIRO TEXTOS

Nos convencemos de imediato quanto à qualidade arquitetônica do edifício, da riqueza dos espaços e da atenção dada à escolha dos materiais. O Projeto Vegetal tem por objetivo a valorização do edifício com transformações no seu imediato contexto e nossa intervenção se declina, essencialmente, sobre dois modos diferentes:
• estabelecer um diálogo com o edifício e seu ambiente através dos vegetais;
• permitir uma melhor percepção do prédio.

Quisemos utilizar plantas por suas capacidades de diálogo com a arquitetura e os arredores. Três ciprestes plantados em frente a entrada, cuja verticalidade faz contraponto à forte horizontalidade do edifício, indicando sua presença de longe. As gramíneas entre a base e o corpo da estrutura, cujo movimento permanente relaciona o volume mineral com o espaço atmosférico. Cada espécie vegetal foi escolhida por sua especificidade botânica e morfológica, e implantada no lugar onde revelará seu pleno sentido. É o tempo que vai ritmar o aspecto visual do “Projeto Vegetal”: o tempo necessário para o crescimento e o desenvolvimento dos vegetais e o tempo cíclico das estações.

Oferecer boas condições para ver o edifício, significa antes de tudo “abrir espaço”. Literalmente eliminando alguns objetos (caixas bloqueando a entrada, plantas inapropriadas), e figurativamente com a realização de espaços-limiares ao redor do prédio. Desenhamos uma praça que prolonga a entrada de Uni Dufour até o limite da rua ‘Conseil-Général’. A entrada, nivelada com nova laje e a nova fachada de entrada cos três ciprestes. A praça se termina um pouco abaixo do piso da rua ‘Conseil-Général’, com um muro maciço formando uma “mesa” do lado da calçada e um encosto para um banco de 36 metros de cumprimento em frente ao edifício da universidade. A praça é uma passagem entre a concentração dos estudos e o movimento da rua, um vazio entre o cheio vegetal do Parc des Bastions e o cheio mineral do prédio da Uni Dufour. Esse é o poder de um limiar: dar uma respiração à um edifício.

As duas-rodas, dispersas, vão completar a composição do perímetro quando serão organizadas em duas linhas de suporte metálico ao longo das ruas de Saussure et Jacques-Balmat.

A supressão das plantas de interior que crescem contra os vidros, e sua substituição por plantas herbáceas fazem parte da mesma lógica de desenvolvimento dos limiares. Trata-se aqui de melhorar a percepção do exterior visto de dentro e de deixar entrar a luz da rua no prédio.

AS PLANTAS DO PROJETO VEGETAL

Formas pontiagudas
Com sua folhagem verde escuro, a Cupressus sempervirens “Stricta” é uma conífera extraordinária de verticalidade, e pode chegar a uma altura de 20 metros.
Plantados ao nível do chão, a direita da entrada principal, os três ciprestes previstos no projeto vão ter um papel de indicação visual. Presentes e silenciosos, vão assumir a função de comitê anfitrião para os utilizadores do edifício.

As plantas trepadeiras
O Parthenocissus tricuspidata “Veitchii” é uma planta trepadeira vigorosa e robusta. Agarrando-se ao muro, ele pode cobrir uma superfície indo de 15 a 20 metros quadrados. Em cada estação, ele estará presente na base do edifício. No inverno, descobrimos as suas veias finas e poderosas. Depois do inverno e até o fim do verão grandes folhas verdes e brilhantes aparecem, ganhando uma maravilhosa cor vermelha no outono.

Mesa de roseiras
O Rosa rugosa scarlet meldiland é uma roseira robusta com folhas ásperas, brilhantes, verde escuras de baixo e de cor amarelo-ouro no outono. As roseiras plantadas em maciços compactos e uniformes se apresentarão como uma mesa disposta na base. De junho a setembro, suas flores púrpuras e pelviforme emitem um perfume intenso. Vermelhas, elas manifestam a sua presença desde a Plaine de Plainpalais. Perfumadas e delicadas, elas são um ambiente familiar para o terraço exterior do refeitório.

A echarpe externa
A Molinia caerulea Heidelbraut faz parte da família das gramíneas. Essa planta fina e leve de cor verde clara pode atingir 1 metro de altura. Colocada na base, como uma pele com pelos longos e macios, ela ondula ao capricho do vento. Uma vez maduras, suas inflorescências se movem com a menor brisa até o inverno.

O tapete interior A Carex brunnea Variegata é uma planta herbácea cultivada em solo ligeiro, húmido, e bastante ácido. Pode atingir uma altura de 15 centímetros. Sua folhagem é persistente, com uma cor verde clara e brilhante. As gramíneas no interior se espelham nas gramíneas expostas no exterior. Assim os vidros, envolvendo interior e exterior, são o limite de dois climas diferentes: no interior herbáceas de doce “algodão perolado” e no exterior gramíneas sujeitas a todas temperaturas.

Maria-Carmen Perlingeiro / Marc Junod / Christophe Beusch, 1996