MARIA-CARMEN PERLINGEIRO IMPRENSA

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Entre as suas esculturas em alabastro e as paredes de rocha aparente de sua maravilhosa casa em Genebra, a artista brasileira Maria-Carmen Perlingeiro vive cercada de pedras. Fascinada por esse material, ela o manipula incansavelmente há mais de 20 anos.

Aqui se entra como em uma caverna, ao longo de um corredor que se estrita até confundir-se com a porta de entrada. Não existe casa igual a de Maria-Carmen Perlingeiro nos arredores de Genebra. As tradicional escadas internas, seu autor, o arquiteto brutalista Leonardo Ricci, ex-diretor da escola de arquitetura de Florença, preferiu as suaves inclinações de rampas transversais. Só alguns degraus que conduzem à piscina permaneceram no exterior, dando ao conjunto um ambiente muito “Jacques Tati”, como diz a proprietária.

Cada canto dessa surpreendente propriedade de mil metros quadrados, construída na segunda metade dos anos 50, exprime a personalidade generosa e aberta de Maria-Carmen Perlingeiro. As suas esculturas em alabastro se integram perfeitamente com as plantas de casa e coabitam com obras de vários artistas, em particular as do seu amigo Tunga. Além disso, os móveis rétro provêm quase exclusivamente de feiras de antiguidades de Genebra nos anos 80.

Nascida no Rio, Maria-Carmen Perlingeiro decide há 23 anos, quando chegou na Suíça, de dedicar-se exclusivamente ao alabastro, uma pedra que a fascina por suas imperfeições, e por sua capacidade tão especial de filtrar a luz. A artista traz toneladas de pedra de Volterra, na Toscana. Conforme as séries, vários objetos do dia-a-dia se destacam de suas esculturas, das tesouras aos colarinhos de camisa. Muitas são simplesmente atravessadas por furos dourados, à imagem de uma pele furada. Suas obras se envolvem e se incluem perfeitamente ao local, um pouco como se o ateliê da artista, situado no andar de baixo, se prolongasse em todos os cômodos.

Esses objetos tendem a concorrer com as casa em si. A pedra é omnipresente, por dentro e por fora, em particular através das paredes, formando uma excepcional composição de formas e de cores enferrujadas. “É uma linguagem arquitetural que conhecemos muito bem no Brasil, explica a artista. E dizer que na época em que compramos a casa com meu marido, ela estava no ponto de ser demolida. O proprietário anterior achava a casa moderna demais.” Que sacrilégio teria sido!



William Türler
Revista Trajectoire, 2009