MARIA-CARMEN PERLINGEIRO CRONOLOGIA

Realiza, com o escritório de arquitetura 2BM2, o projeto premiado As lanças de Uccello para a exposição “Lausanne Jardins 2000”, sob a curadoria de Lorette Coen. A arquiteta Bénédicte Montant e sua equipe se dedicam inteiramente aos projetos artísticos e paisagísticos que Maria-Carmen desenvolve para os espaços públicos. O projeto, na colina de Montriond em Lausanne, é composto de uma única planta (em 400 exemplares) – a Sansevieria, planta tropical com folhas em forma de espada e riscas cinza-esverdeadas. No Brasil, a Sanseveria é chamada de espada-de-sãojorge. O interesse principal pela escolha dessa planta é sua aparência “artificial”. Suas folhas duras, sua geometria e sua forma escultural fazem pensar em um objeto sintético – até mesmo de plástico – enquanto que, na verdade, é 100% vegetal. Esse projeto é uma homenagem à pintura A Batalha de São Romano, de Paolo Uccello.



Em 2001, faz o objeto Animal glove para a exposição “Playgrounds & toys”, no Museu da Cruz Vermelha em Genebra. A exposição, organizada por Art for the World, sob a coordenação de Adelina von Furstenberg, propõe maquetes de playgrounds e brinquedos para crianças carentes. Animal glove é um kit de luvas e bolas forradas com falsa pele de animais. As crianças recebem seus pares de luvas com a respectiva bola e brincam como se fossem tigres, zebras, ursos ou carneiros.

Como artista-paisagista, Maria-Carmen participa do projeto Anis Vert realizado pelo escritório de arquitetura 3BM3, no Auberge Le Floris em Anières, na beira do lago Léman. O projeto ganha o 1o prêmio. Ainda em 2001, é convidada por Charlotte Moser a expor em sua galeria da Vieille-Ville, em Genebra. A exposição “Natures mortes” apresenta esculturas em alabastro reto/verso e uma parede com cadernos de alabastro e ouro iluminados por trás. O catálogo da exposição foi editado pela galeria com o texto de Paulo Venâncio Filho.

Pois no alabastro temos exemplos da existência solitária das coisas antes (ou depois) da convivência que se estabelece entre elas – o estado placentário (pré ou pós) naturezas-mortas. Essas esculturas combinam, na sua estrita formalização desencantada, o selvagem ambiente pós-pop, o humor dessacralizador das histórias em quadrinhos, a vulgarização consumista do cotidiano e a dignidade e simplicidade clássicas num pedaço de pedra; estela absolutamente contemporânea, monólito incompleto e definido no indefinido fragmento de alabastro. Um pedaço da carne do mundo. (Paulo Venâncio Filho. “O nascimento das coisas comuns”. Maria-Carmen Perlingeiro [catálogo]. Genebra: Galerie Charlotte Moser, 2001).