MARIA-CARMEN PERLINGEIRO CRONOLOGIA

De volta ao Rio de Janeiro, começa a desenvolver um trabalho sobre o jogo do bicho – loteria diária e clandestina. Cada número corresponde a um animal. Essa série de trabalhos inspirada no jogo do bicho foi mostrada integralmente numa sala na 14a Bienal Internacional de São Paulo. O trabalho é composto de serigrafias – Arquivo de um jogador – 12 pranchas que correspondem a cada mês do ano com a classificação do resultado diário; objetos – Animais em conserva – 25 bocais de vidro com os números de plástico flutuando na água; pinturas – ABC do jogo do bicho: avestruz, borboleta e cobra; um audiovisual – Caça ao palpite; um pequeno livro – Manual de bolso, explicação dos sonhos; Guia para iniciantes – os 25 animais do jogo, e Perseguindo a imagem – 12 serigrafias sobre papel quadriculado.





Ainda em 1977 é convidada pelo diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage no Rio de Janeiro, Rubens Gerchman, a lecionar serigrafia com Dionisio del Santo, quando então é realizada a exposição “Plásticos”, que reúne os trabalhos dos alunos do ateliê de serigrafia. Nessa mesma época, integra a Associação Brasileira de Artistas Plásticos.

No ano seguinte, instala, em Copacabana, o ateliê de serigrafia Série, para imprimir edições de arte. Realiza trabalhos para vários artistas cariocas entre eles Carlos Vergara, Waltercio Caldas, Oscar Niemeyer, Jorge Guinle (seu vizinho de ateliê).

A série do jogo do bicho, apresentada na Bienal de São Paulo, é mostrada no Rio de Janeiro na exposição individual “Letras”, na galeria da Aliança Francesa de Botafogo.

Em 1979, convidada por Regina Vater, mostra a obra Palmeiras em fotos, na exposição “Works on paper”, na Nobe Gallery, em Nova York. Na galeria do Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, expõe N operações, um projeto experimental realizado com Rute Gusmão, composto de um filme super 8 em loop, objetos e álbuns de figurinhas. Foi uma das primeiras exposições realizadas no Centro Cultural de Ipanema. No filme, aparecem dois mágicos fazendo a mesma mágica simultaneamente. As imagens do filme compõem um pequeno álbum de figurinhas, e o conjunto de álbuns era disposto em estandes de metal de supermercado; havia uma pirâmide de cofrinhos sobre uma prateleira de vidro no centro da sala.

A série Si-la-box é apresentada em exposição individual, na galeria César Aché, Rio de Janeiro (1980). O trabalho é composto de fotografias da flor Calistemon vermelha e de escovas de lavar garrafas, coloridas, criando um efeito mimético. Sobre cada foto havia números e letras em relevo. Esses trabalhos também são apresentados na individual “Ici-là-ailleurs”, na galeria Bernard Letu, em Genebra, a convite de Evelyne Gallopin.



Em 1982, expõe Bicho de sete cabeças no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no projeto Espaço ABC-Funarte. Trata-se de uma de peça composta de 96 objetos diferentes, pendurados em sete cabides rotativos, como os cabides de supermercado. Os objetos – brinquedos, luvas, penas, facas, solas – aparecem embalados em sacos de plástico e etiquetados com ditos populares e provérbios: Piranha braba; Lágrimas de crocodilo; Engolir sapos; Comer mosca; Mata a cobra e mostra o pau; Tem sangue de barata; Ninho de cobras; Boca de siri; Cão sem dono. Essa série encerra os trabalhos realizados no Brasil.



Fecha seu ateliê de serigrafia no Rio e muda-se para Nova York, onde realiza uma grande série de desenhos em pastel antes de dar o passo decisivo para a escultura. No Pratt Institute, no Brooklyn, descobre as três dimensões através do barro.



Após uma série de trabalhos conceituais em que mistura objetos usuais e textos, Maria-Carmen Perlingeiro aborda a prática do desenho em Nova York. Começa a criar uma longa série de desenhos em pastel que reproduzem, de forma livre e realista, objetos de uso quotidiano. (Stéphane Cecconi. “Dessin 1: le geste du sculpteur”. Les minutes du cabinet des dessins. Genebra: Musée d’Art et d’Histoire, 1999).