MARIA-CARMEN PERLINGEIRO CRONOLOGIA

Em fevereiro de 2005, recebe em seu ateliê da Place- Verte a visita do fotógrafo Richard de Tscharner para realizar uma reportagem fotográfica. As imagens em preto-e-branco desse encontro revelam a atmosfera do ateliê em dia de muita neve e sugerem uma conversa entre a artista e o fotógrafo.



Em maio de 2005, Cristina Burlamaqui organiza a exposição “Referências fotográficas” (fotos de quatro artistas cariocas), na Galeria de Arte Ipanema, Rio de Janeiro. Foi a oportunidade para Maria-Carmen mostrar os trabalhos em foto realizados nos anos 70 como Frigidíssimo e Crudelíssimo, fotos do Pão de Açúcar e de palmeiras.



As fotografias, todas feitas na Praia do Flamengo em 1980, privilegiam o Pão de Açúcar, as palmeiras e os ônibus. Em Vol Bol / Col Sol vê-se a montanha- símbolo do Rio de Janeiro, rebatida em azuis, magentas, amarelos e pretos num “duplo” com as palmeiras, emblema dos trópicos, e palavras em relevo. Seria o Pão de Açúcar a nossa Marilyn? (Cristina Burlamaqui. Referências fotográficas [folder]. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Ipanema, Rio de Janeiro, 2005).



Em setembro apresenta pela primeira vez Il meraviglioso mondo delle cose fluttuanti, na fonte de San Felice em Volterra, participando do 2o Simpósio de Escultura, organizado por Roberto Bianchi.

Construída no século XIV, no interior de uma cidade de origem etrusca, a fonte de San Felice evoca o universo poético das paisagens da Toscana. De tamanhos e formas diferentes, as esculturas estão suspensas por cabos de aço criando a ilusão de flutuar à flor d’água e refletir no infinito. O contexto orgânico e natural escolhido pela artista para criar a instalação conduz o espectador a apreciar a fonte por meio de recursos sensoriais diversos. A aparente doçura do alabastro, o marulho das águas, a vegetação ao redor e o balanceio das esculturas despertam a força dos sentidos. O espectador se deixa levar e percorrer o mundo maravilhoso dos objetos flutuantes de Maria- Carmen Perlingeiro. Uma experiência mágica, inspiradora e singularmente apaziguante. (Felipa de Almeida. Release do Meraviglioso mondo delle cose fluttuanti, Volterra, 2005).

No mês de novembro, no Espace Topographie de l’Art em Paris, dirigido por Adon Peres, participa com Le monde merveilleux des objets flottants da exposição “Espace urbain x Nature intrinsèque”, com a curadoria de Evangelina Seiler. Essa exposição integra o programa oficial do ano do Brasil na França e apresenta instalações, esculturas e vídeos de artistas brasileiros contemporâneos.

O Le monde merveilleux des objets flottants de Maria-Carmen é feito de alabastro e parece sair das paredes do espaço. A pedra de cada escultura se confunde com a pedra dos muros do espaço. Os cabos de aço que sustentam as esculturas desaparecem criando um efeito absoluto de flutuação. A instalação está em harmonia com o tema da exposição pois o mundo maravilhoso se integra perfeitamente ao contexto urbano do espaço parisiense. (Felipa de Almeida. Release do “Monde merveilleux des objets flottants”, Espace Topographie de l’Art, Paris, 2005).

Parte dessa exposição é em seguida apresentada no Fri-Art de Fribourg, Suíça, sob a direção de Sarah Zurcher em fevereiro de 2006. A exposição intitulada “STOPOVER” promoveu o feliz encontro do “mundo maravilhoso” de Maria-Carmen com a instalação fotográfica do artista suíço Nils Nova.

No final de 2005, foi convidada a criar um projeto de jardim para o prédio Elna, em Genebra. Esse jardim, uma “esplanada modernista” é uma instalaçã permanente composta de tapetes de hera de cores diferentes e de iúcas. O jardim foi criado e realizado juntamente com a arquiteta de interior Senka Perc, que participou também da concepção do espaço na exposição do Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

Já em 2006, em março, convidada por Lauro Cavalcanti e Lúcia de Meira Lima, retorna ao Brasil para apresentar, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, suas obras principais dos últimos quatro anos. Nessa exposição foram apresentados: O mundo maravilhoso dos objetos flutuantes em sua maior versão de 52 esculturas suspensas; 15 Piercings de ouro branco e ouro amarelo; as Lunáticas pousadas no chão; a Maestà – homenagem a Duccio de Buoninsegna – composta de 42 discos de alabastro e ouro, e Quando as montanhas se encontram, uma referência às montanhas da Suíça.

Espontânea, despretensiosamente um trabalho seriado, que individualiza e diferencia seus exemplares através de progressões ou divisões seriais – deixando para trás o conceito canônico de unidade formal – entrega- se inteiro a seus impulsos miméticos. E como a corrigir o aspecto enganoso do alabastro, esses impulsos miméticos em geral são rápidos e diretos, produzem uma reação em cadeia. Cada uma das séries responde, nominalmente até, a determinada associação imaginária. Simples pedaços ou fragmentos de pedra, quase ready-made, apenas modificados, podem se transformar assim em perfís de montanhas ou em detritos lunares. Uma calma voracidade mimética parece tomar conta agora da escultura de Maria-Carmen Perlingeiro. É um momento de abertura existencial, de investimento sensível sobre a prodigiosa diversidade do mundo-da-vida. Tudo merece uma segunda pele. (Ronaldo Brito. “Uma segunda pele”. Folder da exposição no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2006). Por ocasião da exposição no Paço, a HAP Galeria organiza uma conferência de Ronaldo Brito no Paço Imperial, na sala da Maestà: “A obra de Maria-Carmen Perlingeiro e a escultura moderna e contemporânea no Brasil”.

Para a reabertura do Château de Nyon, na Suíça, Vincent Lieber, conservador do museu, convida Maria- Carmen a participar da exposição “Une mémoire céramique”. As esculturas do Le monde merveilleux des objets flottants são suspensas em duas torres do castelo diante do panorama do Lago Léman.

Peças familiares. Reconhecemos uma forma quotidiana, uma pilha de pratos, um vaso... Elas flutuam, suspensas no espaço como se um invisível equilibrista chinês as fizesse girar nos ares.

Temos também o sentimento dessa transparência aérea que sublinha a apesanteur no qual a artista suspendeu esses estranhos objetos reinventados por uma memória que nunca existiu. E é também a escolha de um material que parece doce mas permanece um pouco inquietante, com sua transparência leitosa que nunca revelará seus segredos.
(Vincent Lieber. Sala da exposição “Une mémoire céramique”, Cháteau de Nyon, 2006).

Em julho de 2006 Maria-Carmen mais uma vez trabalha em Volterra, acompanhada pelo designer Alexandre Thursten que, desde 2003, colabora com a artista nos projetos gráficos de apresentação do seu trabalho. No ateliê de Volterra, Maria-Carmen realiza a série dos Carabinieri, e a série dos Eclipses, que será apresentada no Museu da Chácara do Céu no Rio de Janeiro em 2007.