Maria Carmen

intro

Maria-Carmen Perlingeiro nasceu em 21 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, em uma família de cinco filhos. Vive e trabalha em Genebra.

Esta cronologia até 2010 é de autoria de Cecilia Leuenberger e Maria-Carmen Perlingeiro.

Cronologia

o percurso

1971-1976

Estuda no Colégio Sacré-Coeur de Jesus em Laranjeiras e conclui o colegial no Colégio Santa Úrsula. Em 1971, cursa a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro; dois anos mais tarde, vai para Genebra e obtém o diploma de graduação na École Supérieure d’Art Visuel, onde freqüenta o ateliê de serigrafia de Evelyne Gallopin, entre outros cursos. Nessa ocasião, em 1975 mais precisamente, faz uma série de trabalhos em ardósia, placas de acrílico e arame, que, juntamente com os trabalhos de todos os alunos do ateliê, é exposta no Centre d’Art Contemporain, Salle S. Patiño.

Em Genebra, realiza um projeto de integração com a arquitetura no prédio situado na rua Villereuse: um painel de 12 metros de comprimento, um banco e uma jardineira de plantas. Esse trabalho ainda pode ser visto; as cores da pintura não se alteraram. É selecionada para a 13a Bienal Internacional de São Paulo, onde apresenta fotografias em preto-ebranco com desenhos em grafite sobre a temática das pedras.

 

Após viagem a Juazeiro do Norte (CE), em 1976, inspira-se nas salas de ex-votos da igreja de Padre Cícero para fazer o trabalho de conclusão de graduação: uma sala de ex-votos vegetais. Uma das paredes da sala é coberta por uma centena de fotos de árvores emolduradas em cores variadas; um texto manuscrito explica a propriedade medicinal de cada planta; como se cada ex-voto tivesse sido colocado por uma pessoa diferente. Na mesma instalação, são mostradas pequenas esculturas de barro de algumas árvores e palmeiras.

1977-1982

De volta ao Rio de Janeiro, começa a desenvolver um trabalho sobre o jogo do bicho – loteria diária e clandestina. Cada número corresponde a um animal. Essa série de trabalhos inspirada no jogo do bicho foi mostrada integralmente numa sala na 14a Bienal Internacional de São Paulo. O trabalho é composto de serigrafias – Arquivo de um jogador – 12 pranchas que correspondem a cada mês do ano com a classificação do resultado diário; objetos – Animais em conserva – 25 bocais de vidro com os números de plástico flutuando na água; pinturas – ABC do jogo do bicho: avestruz, borboleta e cobra; um audiovisual – Caça ao palpite; um pequeno livro – Manual de bolso, explicação dos sonhos; Guia para iniciantes – os 25 animais do jogo, e Perseguindo a imagem – 12 serigrafias sobre papel quadriculado.

Ainda em 1977 é convidada pelo diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage no Rio de Janeiro, Rubens Gerchman, a lecionar serigrafia com Dionisio del Santo, quando então é realizada a exposição “Plásticos”, que reúne os trabalhos dos alunos do ateliê de serigrafia. Nessa mesma época, integra a Associação Brasileira de Artistas Plásticos.

 

No ano seguinte, instala, em Copacabana, o ateliê de serigrafia Série, para imprimir edições de arte. Realiza trabalhos para vários artistas cariocas entre eles Carlos Vergara, Waltercio Caldas, Oscar Niemeyer, Jorge Guinle (seu vizinho de ateliê).

 

A série do jogo do bicho, apresentada na Bienal de São Paulo, é mostrada no Rio de Janeiro na exposição individual “Letras”, na galeria da Aliança Francesa de Botafogo.

 

Em 1979, convidada por Regina Vater, mostra a obra Palmeiras em fotos, na exposição “Works on paper”, na Nobe Gallery, em Nova York. Na galeria do Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, expõe N operações, um projeto experimental realizado com Rute Gusmão, composto de um filme super 8 em loop, objetos e álbuns de figurinhas. Foi uma das primeiras exposições realizadas no Centro Cultural de Ipanema. No filme, aparecem dois mágicos fazendo a mesma mágica simultaneamente. As imagens do filme compõem um pequeno álbum de figurinhas, e o conjunto de álbuns era disposto em estandes de metal de supermercado; havia uma pirâmide de cofrinhos sobre uma prateleira de vidro no centro da sala.

 

A série Si-la-box é apresentada em exposição individual, na galeria César Aché, Rio de Janeiro (1980). O trabalho é composto de fotografias da flor Calistemon vermelha e de escovas de lavar garrafas, coloridas, criando um efeito mimético. Sobre cada foto havia números e letras em relevo. Esses trabalhos também são apresentados na individual “Ici-là-ailleurs”, na galeria Bernard Letu, em Genebra, a convite de Evelyne Gallopin.

Em 1982, expõe Bicho de sete cabeças no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no projeto Espaço ABC-Funarte. Trata-se de uma de peça composta de 96 objetos diferentes, pendurados em sete cabides rotativos, como os cabides de supermercado. Os objetos – brinquedos, luvas, penas, facas, solas – aparecem embalados em sacos de plástico e etiquetados com ditos populares e provérbios: Piranha braba; Lágrimas de crocodilo; Engolir sapos; Comer mosca; Mata a cobra e mostra o pau; Tem sangue de barata; Ninho de cobras; Boca de siri; Cão sem dono. Essa série encerra os trabalhos realizados no Brasil.

 

Fecha seu ateliê de serigrafia no Rio e muda-se para Nova York, onde realiza uma grande série de desenhos em pastel antes de dar o passo decisivo para a escultura. No Pratt Institute, no Brooklyn, descobre as três dimensões através do barro.

 

Após uma série de trabalhos conceituais em que mistura objetos usuais e textos, Maria-Carmen Perlingeiro aborda a prática do desenho em Nova York. Começa a criar uma longa série de desenhos em pastel que reproduzem, de forma livre e realista, objetos de uso quotidiano. (Stéphane Cecconi. “Dessin 1: le geste du sculpteur”. Les minutes du cabinet des dessins. Genebra: Musée d’Art et d’Histoire, 1999).

1983-1989

A maleabilidade do barro é substituída pela dureza do mármore. Em 1983, compra um bloco de mármore branco de Carrara, um martelo, ponteiros e se inscreve na Art Student’s League de Nova York para aprender a esculpir e cortar a pedra. Em dezembro desse ano mostra a escultura em mármore, No 11, na exposição “Small sculpture”, na galeria Kouros, Nova York.

 

Dois anos depois, muda-se para Genebra onde se casa com Pavel Urban. Tcheco de origem, Pavel se associa com entusiasmo ao desenvolvimento desse novo trabalho em escultura. Juntos viajam para Carrara, norte da Toscana, para comprar algumas toneladas de mármore e, desde então, essas viagens para a Itália são freqüentes e se tornam um projeto comum do casal. Dentista de profissão, Pavel procura soluções técnicas para a instalação de certas esculturas e também realiza, em ouro maciço, pequenas reproduções de obras de Maria-Carmen.

 

Em 1986 nasce seu filho Gabriel e em 1989 sua filha Sophia, e é somente depois do nascimento dos filhos que o mármore das esculturas se “amolece”.

1990-1994

Leciona serigrafia na École Supérieure d’Art Visuel em Genebra, como substituta da professora Evelyne Gallopin. No ano seguinte, em 1991, apresenta serigrafias junto com os alunos dessa mesma escola, no Palais de l’Athénée em Genebra.

 

No mesmo ano, é convidada a expor suas esculturas no Château de Villa, em Sierre, no cantão do Valais, juntamente com as pinturas de Jean-Paul Renko. Essa exposição teve editado, com o apoio de Pierre Mirabaud, Rolf Bloch e Pierre Trembley, um catálogo com o texto “Entre o corpo e a estrutura”, de Ronaldo Brito e com projeto gráfico de Sula Danowski. Foi sua primeira exposição de esculturas na Suíça. Os mármores brancos, distribuídos em várias salas, contrastavam com a madeira escura do castelo.

O mármore de Carrara: Escolhi trabalhar com essa pedra por causa de sua matéria densa, sua resistência e seu peso. A técnica do corte direto exige um tempo de realização bastante longo e só ao cabo de alguns anos é que o mármore amolece, digamos assim, para se transformar numa pele fina, arriscando se quebrar com as batidas do martelo. (Maria-Carmen em conferência na Sotheby’s Uni Dufour, Genebra, junho, 1997).

 

Em 1992, expõe na galeria Ruine, em Genebra. Nessa ocasião, conhece André L’Hullier, o primeiro colecionador a adquirir os mármores da artista. E já no ano seguinte, o banco UBS, por intermédio de Roger Mayou, consultor artístico, encomenda obras da artista: duas esculturas de mármore em escala maior do que a habitual para uma das sedes do banco em Genebra. Ainda em 1993, expõe suas esculturas pela primeira vez no Rio de Janeiro, na galeria Goudard, e de volta a Genebra participa da exposição “In vitro in vivo”, junto com as pinturas de Josée Pitteloud.

 

Acompanha, em 1994, Raquel Arnaud, Ronaldo Brito e Guy Brett a Massa, na Itália, para o fechamento do ateliê de Sergio Camargo, artista que estimulou Maria-Carmen a trabalhar com o mármore. Exibe suas esculturas no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Na ocasião, foi editado um folder realizado em Genebra pela designer Lisa Parenti.

 

Numa viagem levava na minha mala de mão uma escultura, uma pétala em alabastro. Ao passar pelo controle de segurança eu pude ver na tela do aparelho todo o conteúdo da minha mala. Mesmo através dos raios X, minha escultura permanecia igual: o alabastro revelava sempre seu interior. (Maria-Carmen em mesa-redonda realizada na HAP Galeria, Rio de Janeiro, novembro, 2002).

1996-1997

Quando eu era criança, me diziam que para cada mentira contada nasce uma mancha branca nas unhas. Para ilustrar essas “mentirinhas” o alabastro era a matéria ideal na medida em que é cheio de manchas e tem aparência orgânica. (Maria-Carmen em entrevista a Martine Jaques-Dalcroze. Journal de Genève, 23 de junho de 1996).

 

Em 1996, expõe a série Pequenas mentiras na Galerie Rosa Turetsky, em Genebra, que edita um catálogo com texto de Michael Jakob.

 

(…) Para chegar nesta arte do que é vivo, para guardar a fragilidade do que é vivo, Maria-Carmen Perlingeiro soube escolher o mineral ideal: o alabastro. Esta pedra possui uma translucidez surpreendente e uma dureza relativa; sua transparência e suas camadas ondulantes deixam aparecer a profundidade – tudo nela parece sugerir a matéria viva sob a epiderme. Ao explorar a irregularidade das veias do alabastro, a artista imprime sua visão numa matéria tão única quanto a forma de uma unha ou de uma lágrima. (Michael Jakob. “Petits mensonges”. Sculptures [catálogo]. Genebra: Galerie Rosa Turetsky, 1996).

No mesmo ano, participa do concurso Uni Dufour em Genebra, promovido pelo Banco Darier Hentsch & Cie e organizado pela empresa START, sob a direção de Dominique Lévy e Simon Studer. O projeto, o primeiro no qual utiliza espécies vegetais, recebe o primeiro prêmio ex-aequo do Concurso Internacional Uni Dufour. O Projet végétal contou com o apoio da Fondation Moët & Chandon Suisse pour l’Art. Executado e inaugurado em 1997, ao mesmo tempo em que o trabalho do artista japonês Tatsuo Miyajima, composto de LEDs, pode ser visto dentro e fora do prédio universitário.

 

Para elaborar o projeto vegetal, nos persuadimos, de imediato, pela qualidade arquitetônica do prédio e pelo cuidado com a escolha do material de construção. O objetivo do projeto era valorizar o edifício por meio de duas formas de intervenção: a primeira, através do vegetal, estabelecendo um diálogo entre o prédio e o meio ambiente; a segunda, através da criação de uma esplanada integrando a praça René Payot e permitindo uma percepção mais ampla do edifício. Nossa idéia era incluir as plantas que são capazes de dialogar com a arquitetura e os espaços que contornam o prédio. Três ciprestes cuja verticalidade realça e contrasta com a forte horizontalidade do edifício foram plantados na fachada da entrada destacando, de longe, sua presença. (Maria-Carmen. “Le deux-centième”. Journal du Bicentenaire de la Banque Darier Hentsch & Cie. Genève, no 7, setembro, 1996).

 

O trabalho seguinte, Águas vivas, é apresentado no Gabinete de Arte Raquel Arnaud em São Paulo, com as séries muito caras a Maria-Carmen: Pequenas mentiras e Suspiros. Paulo Venâncio Filho escreveu o texto “Clepsidra” para o folheto editado na ocasião.

 

São objetos que estão na memória como em alabastro, madeleines tridimensionais, de modo que é possível até que a memória seja feita em alabastro. Pois o tempo está na pedra, e as coisas também, como água em uma clepsidra, tomando todas as formas. (Paulo Venâncio Filho. “Clepsidra”, no folder Águas vivas. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, setembro 1996).

 

Apreciei suas esculturas, tanto quanto o pode permitir a imagem fotográfica, e surpreendeu-me como consegue ir além das falsas facilidades proporcionadas pela riqueza visual e táctil do alabastro, criando peças que do material retêm a translucidez e as variações cromáticas, mas em que essas servem a pura forma. (José Saramago em carta a Maria-Carmen em 19 de abril de 1996).

 

Em 1997, é convidada por Adelina von Furstenberg, diretora de Art for the World, a apresentar as Lunáticas, na Madrasa Ibn Youssef, em Marrakech, por ocasião da exposição “Méditations”. Cada artista mostrava seu trabalho numa célula iluminada apenas pela luz natural e as cinco luas em alabastro de Maria-Carmen ficavam pousadas no chão, umas sobre as outras.

E um pedaço de unha cortada lembra muito bem o crescente lunar – a própria Lua, vista daqui, não é algo opaco, luminoso, quase translúcido, que poderia ser feita de alabastro? Lunatiques, não é este o nome do trabalho? (Paulo Venâncio Filho. “Clepsidra”, no folder Águas vivas. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, setembro 1996).

1998-1999

Cria Open heart (1998), no jardim da Organização Mundial da Saúde – OMS, em Genebra, para a exposição “The edge of awareness”, organizada por Art for the World e dirigida por Adelina von Furstenberg, em comemoração aos 50 anos da OMS.

 

Open heart é formado por duas macieiras, 30 videiras e 17 arbustos vermelhos. As videiras de Merlot, transplantadas do vinhedo Les Perrières, em Pessy, cercam as duas macieiras, desenhando, no gramado, a forma de um coração. As uvas são também vermelhas. Open heart se inspira em um transplante cardíaco, uma verdadeira cirurgia de coração aberto. O trabalho passa a ser uma instalação permanente no parque da OMS.

 

Logo em seguida, três esculturas – três corações em alabastro e resina – foram apresentadas nas outras exposições “The edge of awareness” na ONU, Nova York, e no SESC Pompéia, São Paulo .

Maria-Carmen Perlingeiro brinca com diferentes significados do título da escultura Open heart – três peças de alabastro em forma de coração, cortadas ao meio no sentido horizontal e recheadas, como um sanduíche, por uma substância de aspecto gelatinoso.

Uma alusão a um coração literal e materialmente quebrado, a uma cirurgia e ao trauma da dor. No entanto, a artista sugere também que, embora endurecido, um coração dividido também se expõe à experiência e à vulnerabilidade do amor. (Ariella Budick. “Healing art”. Newsday, 16 set. 1998).

 

No mesmo ano, apresenta a obra Livros na exposição “Formas transitivas”, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo, com curadoria de Paulo Sérgio Duarte.

 

Essa fragilidade do alabastro, quando confrontada com as pedras mais resistentes, parece ser o preço pago pela incorporação da luz de que é capaz no encontro raro de opacidade e transparência. Alguém, possivelmente, já disse que nas formas de Maria-Carmen a arte se comporta como estranhos animais domésticos, queremos acariciá-los de tão familiares e atrativos. Mas também temos certeza: nunca os vimos antes. (Paulo Sérgio Duarte. Formas transitivas [catálogo]. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1998).

 

(…) Sou eu quem executa as minhas esculturas: corto a pedra com martelo, raspo, dou polimento, levanto a poeira, muita poeira. Gosto desta atividade física, deste caos de barulho e poeira, desta brutalidade. Só mesmo no final do polimento, quando o trabalho já está na fase da lixa d’água, é que a pedra aparece em todo o seu esplendor, na sua mais linda translucidez, deixando fluir através de sua massa qualquer intensidade de luz ambiente. Aí reside o mágico. (Maria- Carmen em entrevista a Jaqueline Girard-Frésard, Genève XXI, 2001).

 

Convidada para apresentar um pré-projeto artístico para a clínica SUVA em Sion, começa a trabalhar com a colaboração do escritório de arquitetura 2BM2 – Bénédicte Montant e Verena Best-Mast, arquitetas. O projeto Point de rosée é premiado e realizado para a piscina do centro de reeducação da clínica. Point de rosée é um baixo-relevo formado de 73 “gotas d’água” em alabastro espalhadas em duas paredes de concreto aparente de 12 metros de altura cada uma.

A arte de Maria-Carmen soube aproximar dois pólos tão opostos oferecendo aos usuários desse local terapêutico um apoio estético, intelectual e moral. A obra, cujo título eloqüente de Gotas de orvalho, é centrada no conceito aquático. A água, símbolo universal da vida, compartilhada tanto pela arquitetura (a piscina) quanto pelo homem (o corpo composto quase integralmente por água) se materializa, resiste, se fixa na parede sob a forma do que é leve por excelência: a gota. Esculpidas no alabastro – tão semelhante, na espécie mineral, à carne humana – e tendo cada uma sua forma bem definida, as gotas se tornam um espelho para as pessoas que se encontram nesse local. (Michael Jakob. Point de rosée [folder]. Sion: Suva, 9 de setembro de 1999).

Ainda em 1999 o Banque Cantonale de Genève expõe uma parte de sua coleção no Musée Rath de Genebra. A escultura Pequenas mentiras, duas peças em alabastro, integra a exposição. O Musée d’Art et d’Histoire de Genebra organiza “Le geste du sculpteur”, exposição no Cabinet de Dessins, onde a artista apresenta seus desenhos em pastel realizados em Nova York entre 1982 e 1983.

 

Apresenta Moedas e Livros, na exposição “Change directory”, organizada por Culture et Développement na Kunsthalle de Berne, em 1999. Em agosto desse ano, mostra sua grande série de esculturas reto/verso em alabastro no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Essa exposição – uma homenagem a seu pai, funcionário do Banco do Brasil na agência onde agora está o centro cultural – foi organizada e apresentada por Franklin Pedroso. Um catálogo, com texto de Ronaldo Brito, e projeto gráfico da Danowski Design (Sula Danowski e Adriana Cataldo) foi editado na ocasião. Logo a seguir a exposição será apresentada no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.Imagino sua mesa de madeira escura, com normas da casa, memorandos, ações sob custódia, caneta tinteiro, lápis apontados, borrachas, rascunhos feitos à mão, tudo muito arrumado. Abro uma gaveta de sua escrivaninha e nela encontro um mata-borrão dos antigos com a marca de sua assinatura e o carimbo da seção onde foi talhando a dimensão que deu a seu mundo.

 

As esculturas representam objetos de escritório e objetos de uso pessoal como grampeador, clip para papel ou gravata. Coisas que a vida perenizou no uso diário e que vieram ocupar seu lugar na parte mais íntima de um desejo. Coisas necessárias à produção de trabalho e de vida. (Lygia Perlingeiro. Texto na sala da exposição do Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1999).

 

O alabastro, é óbvio, presta-se admiravelmente a simular a ação difusa do imaginário, com sua coloração esmaecida, um pouco remota, e suas qualidades por assim dizer epidérmicas. Ele adquire aqui, entretanto, conteúdo de verdade material: membrana sensível a dividir e unir universos – passado e presente, sonho e vigília, físico e psíquico.

(…) Maria-Carmen começa a tomar os fragmentos de alabastro como ready-made. Sem intervir em seu contorno, ela acaba transformando uma coleção de fragmentos “prontos” quase numa série pós-minimalista de elementos construtivos. (Ronaldo Brito. Maria- Carmen Perlingeiro [catálogo]. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1999).

 

No mesmo ano, recebe condecoração do governo brasileiro, Cavaleiro da Ordem do Rio Branco.

2000-2001

Realiza, com o escritório de arquitetura 2BM2, o projeto premiado As lanças de Uccello para a exposição “Lausanne Jardins 2000”, sob a curadoria de Lorette Coen. A arquiteta Bénédicte Montant e sua equipe se dedicam inteiramente aos projetos artísticos e paisagísticos que Maria-Carmen desenvolve para os espaços públicos. O projeto, na colina de Montriond em Lausanne, é composto de uma única planta (em 400 exemplares) – a Sansevieria, planta tropical com folhas em forma de espada e riscas cinza-esverdeadas. No Brasil, a Sanseveria é chamada de espada-de-sãojorge. O interesse principal pela escolha dessa planta é sua aparência “artificial”. Suas folhas duras, sua geometria e sua forma escultural fazem pensar em um objeto sintético – até mesmo de plástico – enquanto que, na verdade, é 100% vegetal. Esse projeto é uma homenagem à pintura A Batalha de São Romano, de Paolo Uccello.

Em 2001, faz o objeto Animal glove para a exposição “Playgrounds & toys”, no Museu da Cruz Vermelha em Genebra. A exposição, organizada por Art for the World, sob a coordenação de Adelina von Furstenberg, propõe maquetes de playgrounds e brinquedos para crianças carentes. Animal glove é um kit de luvas e bolas forradas com falsa pele de animais. As crianças recebem seus pares de luvas com a respectiva bola e brincam como se fossem tigres, zebras, ursos ou carneiros.

Como artista-paisagista, Maria-Carmen participa do projeto Anis Vert realizado pelo escritório de arquitetura 3BM3, no Auberge Le Floris em Anières, na beira do lago Léman. O projeto ganha o 1o prêmio. Ainda em 2001, é convidada por Charlotte Moser a expor em sua galeria da Vieille-Ville, em Genebra. A exposição “Natures mortes” apresenta esculturas em alabastro reto/verso e uma parede com cadernos de alabastro e ouro iluminados por trás. O catálogo da exposição foi editado pela galeria com o texto de Paulo Venâncio Filho.

 

Pois no alabastro temos exemplos da existência solitária das coisas antes (ou depois) da convivência que se estabelece entre elas – o estado placentário (pré ou pós) naturezas-mortas. Essas esculturas combinam, na sua estrita formalização desencantada, o selvagem ambiente pós-pop, o humor dessacralizador das histórias em quadrinhos, a vulgarização consumista do cotidiano e a dignidade e simplicidade clássicas num pedaço de pedra; estela absolutamente contemporânea, monólito incompleto e definido no indefinido fragmento de alabastro. Um pedaço da carne do mundo. (Paulo Venâncio Filho. “O nascimento das coisas comuns”. Maria-Carmen Perlingeiro [catálogo]. Genebra: Galerie Charlotte Moser, 2001).

2002-2005

Participa, em 2002, de “O espírito da nossa época” da coleção Figueiredo Ferraz, no MAM, São Paulo. Essa exposição, onde são mostrados os Livros, é uma oportunidade para a artista ver sua obra integrada com a de outros artistas brasileiros. No ano seguinte, exibe pela primeira vez os pêndulos de alabastro na exposição “12 esculturas”, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud; essas peças anunciam o tema desenvolvido nas próximas esculturas flutuantes.

 

Na exposição seguinte “Alabastros”, na HAP Galeria, no Rio de Janeiro, onde simultaneamente são apresentadas as pinturas de Jaqueline Adam, a artista mostra uma série de gotas em duas paredes e sete cadernos de alabastro e ouro num móvel de gabinete de desenhos iluminado no interior, móvel criado pelo arquiteto Eduardo Hue.

De certa forma, os trabalhos mais recentes de Maria- Carmen Perlingeiro sintetizam a linguagem formal e plástica criada a partir de seus desenhos de Nova York, uma vez que a imagem, extremamente gráfica, é diretamente gravada e, em seguida, pintada de ouro nas extremidades das finas placas de alabastro. Um legítimo retorno, não apenas às próprias coisas como também ao perfil das coisas. (Stéphane Cecconi. “Dessin 1: le geste du sculpteur”. Les minutes du cabinet des dessins. Genève: Musée d’Art et d’Histoire, 1999).

Quando eu era pequena, havia racionamento de eletricidade quase todos os dias no Rio; lembro-me de fazer os deveres de colégio no final da tarde com luz de vela, ficar brincando com a parafina quente e observando minha mão através dessa luz amarelada que se tornava vermelha ao atravessar minha pele. Assim eu podia ver dentro do meu corpo. De certa maneira essa imagem ilustra a pedra com a qual eu trabalho e a luz que busco traduzir através de minhas esculturas em alabastro. (Maria-Carmen em mesa-redonda realizada na HAP Galeria, Rio de Janeiro, novembro, 2002).

 

Participa uma vez mais, em colaboração com o escritório de arquitetura 3BM3 de Genebra, da exposição “Lausanne Jardins 2004” com o projeto Palmeiras em trânsito. A equipe do projeto, formada por Bénédicte Montant, Patricia Guaita, Nancy Bidiville e os arquitetos do escritório 3BM3, participou fisicamente da montagem do jardim, criando um verdadeiro evento artístico. Colocaram em um corredor a céu aberto 40 palmeiras de espécies diferentes dentro de caixas de transporte ferroviário. O espaço se transformou em uma empresa fictícia – Palm-trans SA. A colaboração do escritório de arquitetura 3BM3 – Bénédicte Montant e Carmelo Stendardo – sempre foi positiva na prática de Maria-Carmen, pois os arquitetos permitiram que seu trabalho crescesse e tomasse a dimensão dos espaços públicos.

O Gabinete de Arte Raquel Arnaud organiza a exposição “Arte contemporânea: uma história em aberto”, paralela à Bienal Internacional de São Paulo de 2004. A curadora da exposição, Sonia Salzstein, selecionou esculturas de mármore dos anos 90. Em 2004, faz uma escultura para o túmulo de uma jovem em Veyrier, Genebra: 12 discos de mármore branco pousados sobre granito negro.

2005-2006

Em fevereiro de 2005, recebe em seu ateliê da Place- Verte a visita do fotógrafo Richard de Tscharner para realizar uma reportagem fotográfica. As imagens em preto-e-branco desse encontro revelam a atmosfera do ateliê em dia de muita neve e sugerem uma conversa entre a artista e o fotógrafo.

Em maio de 2005, Cristina Burlamaqui organiza a exposição “Referências fotográficas” (fotos de quatro artistas cariocas), na Galeria de Arte Ipanema, Rio de Janeiro. Foi a oportunidade para Maria-Carmen mostrar os trabalhos em foto realizados nos anos 70 como Frigidíssimo e Crudelíssimo, fotos do Pão de Açúcar e de palmeiras.

As fotografias, todas feitas na Praia do Flamengo em 1980, privilegiam o Pão de Açúcar, as palmeiras e os ônibus. Em Vol Bol / Col Sol vê-se a montanha- símbolo do Rio de Janeiro, rebatida em azuis, magentas, amarelos e pretos num “duplo” com as palmeiras, emblema dos trópicos, e palavras em relevo. Seria o Pão de Açúcar a nossa Marilyn? (Cristina Burlamaqui. Referências fotográficas [folder]. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Ipanema, Rio de Janeiro, 2005).

Em setembro apresenta pela primeira vez Il meraviglioso mondo delle cose fluttuanti, na fonte de San Felice em Volterra, participando do 2o Simpósio de Escultura, organizado por Roberto Bianchi.

 

Construída no século XIV, no interior de uma cidade de origem etrusca, a fonte de San Felice evoca o universo poético das paisagens da Toscana. De tamanhos e formas diferentes, as esculturas estão suspensas por cabos de aço criando a ilusão de flutuar à flor d’água e refletir no infinito. O contexto orgânico e natural escolhido pela artista para criar a instalação conduz o espectador a apreciar a fonte por meio de recursos sensoriais diversos. A aparente doçura do alabastro, o marulho das águas, a vegetação ao redor e o balanceio das esculturas despertam a força dos sentidos. O espectador se deixa levar e percorrer o mundo maravilhoso dos objetos flutuantes de Maria- Carmen Perlingeiro. Uma experiência mágica, inspiradora e singularmente apaziguante. (Felipa de Almeida. Release do Meraviglioso mondo delle cose fluttuanti, Volterra, 2005).

 

No mês de novembro, no Espace Topographie de l’Art em Paris, dirigido por Adon Peres, participa com Le monde merveilleux des objets flottants da exposição “Espace urbain x Nature intrinsèque”, com a curadoria de Evangelina Seiler. Essa exposição integra o programa oficial do ano do Brasil na França e apresenta instalações, esculturas e vídeos de artistas brasileiros contemporâneos.

 

O Le monde merveilleux des objets flottants de Maria-Carmen é feito de alabastro e parece sair das paredes do espaço. A pedra de cada escultura se confunde com a pedra dos muros do espaço. Os cabos de aço que sustentam as esculturas desaparecem criando um efeito absoluto de flutuação. A instalação está em harmonia com o tema da exposição pois o mundo maravilhoso se integra perfeitamente ao contexto urbano do espaço parisiense. (Felipa de Almeida. Release do “Monde merveilleux des objets flottants”, Espace Topographie de l’Art, Paris, 2005).

 

Parte dessa exposição é em seguida apresentada no Fri-Art de Fribourg, Suíça, sob a direção de Sarah Zurcher em fevereiro de 2006. A exposição intitulada “STOPOVER” promoveu o feliz encontro do “mundo maravilhoso” de Maria-Carmen com a instalação fotográfica do artista suíço Nils Nova.

 

No final de 2005, foi convidada a criar um projeto de jardim para o prédio Elna, em Genebra. Esse jardim, uma “esplanada modernista” é uma instalaçã permanente composta de tapetes de hera de cores diferentes e de iúcas. O jardim foi criado e realizado juntamente com a arquiteta de interior Senka Perc, que participou também da concepção do espaço na exposição do Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

 

Já em 2006, em março, convidada por Lauro Cavalcanti e Lúcia de Meira Lima, retorna ao Brasil para apresentar, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, suas obras principais dos últimos quatro anos. Nessa exposição foram apresentados: O mundo maravilhoso dos objetos flutuantes em sua maior versão de 52 esculturas suspensas; 15 Piercings de ouro branco e ouro amarelo; as Lunáticas pousadas no chão; a Maestà – homenagem a Duccio de Buoninsegna – composta de 42 discos de alabastro e ouro, e Quando as montanhas se encontram, uma referência às montanhas da Suíça.

 

Espontânea, despretensiosamente um trabalho seriado, que individualiza e diferencia seus exemplares através de progressões ou divisões seriais – deixando para trás o conceito canônico de unidade formal – entrega- se inteiro a seus impulsos miméticos. E como a corrigir o aspecto enganoso do alabastro, esses impulsos miméticos em geral são rápidos e diretos, produzem uma reação em cadeia. Cada uma das séries responde, nominalmente até, a determinada associação imaginária. Simples pedaços ou fragmentos de pedra, quase ready-made, apenas modificados, podem se transformar assim em perfís de montanhas ou em detritos lunares. Uma calma voracidade mimética parece tomar conta agora da escultura de Maria-Carmen Perlingeiro. É um momento de abertura existencial, de investimento sensível sobre a prodigiosa diversidade do mundo-da-vida. Tudo merece uma segunda pele. (Ronaldo Brito. “Uma segunda pele”. Folder da exposição no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2006). Por ocasião da exposição no Paço, a HAP Galeria organiza uma conferência de Ronaldo Brito no Paço Imperial, na sala da Maestà: “A obra de Maria-Carmen Perlingeiro e a escultura moderna e contemporânea no Brasil”.

 

Para a reabertura do Château de Nyon, na Suíça, Vincent Lieber, conservador do museu, convida Maria- Carmen a participar da exposição “Une mémoire céramique”. As esculturas do Le monde merveilleux des objets flottants são suspensas em duas torres do castelo diante do panorama do Lago Léman.Peças familiares. Reconhecemos uma forma quotidiana, uma pilha de pratos, um vaso… Elas flutuam, suspensas no espaço como se um invisível equilibrista chinês as fizesse girar nos ares.

 

Temos também o sentimento dessa transparência aérea que sublinha a apesanteur no qual a artista suspendeu esses estranhos objetos reinventados por uma memória que nunca existiu. E é também a escolha de um material que parece doce mas permanece um pouco inquietante, com sua transparência leitosa que nunca revelará seus segredos. (Vincent Lieber. Sala da exposição “Une mémoire céramique”, Cháteau de Nyon, 2006).

 

Em julho de 2006 Maria-Carmen mais uma vez trabalha em Volterra, acompanhada pelo designer Alexandre Thursten que, desde 2003, colabora com a artista nos projetos gráficos de apresentação do seu trabalho. No ateliê de Volterra, Maria-Carmen realiza a série dos Carabinieri, e a série dos Eclipses, que será apresentada no Museu da Chácara do Céu no Rio de Janeiro em 2007.

2007-2010

2007

MARÇO
Lançamento do livro Maria-Carmen Perlingeiro, Edições IN FOLIO VD, na Livraria Travessa, Rio de Janeiro.

 

ABRIL
Lançamento do livro no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo.

 

ABRIL-OUTUBRO
Instalação no giratório de Cologny, de Palmiers en transit com o atelier de arquitetura 3BM3, segunda apresentação da séria de palmeiras nas caixas de transporte.

 

MAIO
Exposição Histoire de peaux e lançamento do livro no escritório Studer art, Genebra. Apresentação cobrindo vários anos da produção artística de trabalhos em mármore, alabastro, ouro e pele de javali.

 

JULHO
Lançamento do livro e exposição de Aquatiques nas paredes da livraria Archigraphy, Genebra.

SETEMBRO
Exposição Alabastros no Espace Topographique Topographie de l’Art, Paris (a convite do curador Adon Peres). Num espaço de grandes dimensões, apresentação de uma série de Objetos flutuantes, peças recto-verso, Aquatiques, Montanhas furadas e Montanhas iluminadas.

OUTUBRO
Exposição de Aquatiques no Gabinete de arte Raquel Arnaud, São Paulo, e uma série de Objetos flutuantes no centro do espaço e, principalmente, a série completa da Maestá, numa sala exclusiva.

 

2008

ABRIL
Instalação no Artrium UBS, Genebra, do Mundo maravilhoso dos objetos flutuantes sobre um espelho d’água.

SETEMBRO 
Exposição na Pinacoteca Cívica de Volterra com trabalhos em alabastro criados na própria cidade. No espaço do subterrâneo da Pinocateca, a iluminação integral das esculturas, de dentro para fora, produziu um resultado “mágico” da obra. As Lunatiques ( entrada do espaço), as moedas em caixa de luz numa pequena caverna, três bases de Fiore iluminadas, a sala da Bela e a Fera com os Torsos e as Ziegenfell.

 

Uma sala com as esculturas recto-verso e outra com os Cadernos iluminados, e na escada, as Montanhas furadas.

 

2009

FEVEREIRO
A revista Trajectoire Magazine, de Genebra, apresenta uma reportagem sobre a artista e sua casa de estilo modernista em Vessy, Genebra.

 

MARÇO
Ida para Luxor, Vale dos Reis, Egito criando, in loco, esculturas em alabastro egípcio, com a colaboração de artesãos do Vale dos Reis. Execução da série de Cabeças e Cones egípcios.

 

JUNHO
Apresentação de Prismas (alabastro e ouro branco) na galeria Denise Renée, na Art Basel.

 

SETEMBRO
Participação na exposição coletiva A beleza do erro, na LX FACTORY em Lisboa, organizada e produzida por Puppenhauss – Joana Astolfi, Patrícia Bravo e Felipa de Almeida. Apresentação do trabalho Bicho de sete cabeças”, criado em 1981 e apresentado em 1982 no MAM, Rio de Janeiro. O trabalho consiste em 7 displays de metal com 82 saquinhos com a inscrição de provérbios e contendo objetos simples e de uso quotidiano.

 

OUTUBRO
A revista VISO, de Zurich, convida a arquiteta Inês Lamunière e a escultora Maria-Carmen para um diálogo artista-arquiteta. Publicação de fotos do atelier da artista e de projeto (casa) do escritório Lamunière-Devanthéry. de Genebra.

 

Exposição na FIAC dos Cones e Poliedros, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud e dos Prismas na galeria Denise Renée.

 

2010

FEVEREIRO
Instalação no Z’ART, em Zermatt, da escultura intitulada Ziegenfell, realizada com pele de cabra de montanha e de esculturas em alabastro e ouro branco intitulada Full moon in Zermatt.

Durante o ano, as esculturas de MCP estão expostas do SPA do Hotel Lausanne Palace. Os Piercings, as Aquatiques e as Montanhas furadas (entrada), 3 anjos da Maestá (sala de massagens) , gotas de alabastro (corredor da piscina), Cadernos e Montanhas furadas (vitrines do SPA), Objetos flotantes (suspensos na fachada externa).

Apresentação dos Cones iluminados na galeria Denise Renée, na Art Basel.

Apresentação dos Solados, de uma montanha furada, e de Segredos na galeria Laura Marsiaj no Volta Basel.